Cade o dinheiro?

Amigo(a) leitor(a), você acha que empresa tem que gerar caixa e resultado? O que uma coisa tem a ver com a outra? Na minha opinião, tem tudo a ver! Entendo que uma coisa esta intimamente ligada com a outra afinal o mercado de investimentos em startups, em uma plataforma de equity crowdfunding ou através de um fundo, e empresas de pequeno tem passado por uma crise após alguns anos de euforia. Muita gente tem atribuído a crise atual ao ano difícil de inflação e alta de juros globais, ano eleitoral no Brasil, guerra na Ucrânia e outras coisas.

Como fiz um amigo investidor, o Felipe Drumond de BH, o dinheiro raramente desaparece, mas muitas vezes ele muda de lado ou se esconde em algum outro lugar. Mas cadê o dinheiro afinal?

A crise nas startups e empresas em estagio inicial teve inicio na verdade em meados do ano passado quando uma série de empresas conhecidas, algumas inclusive chamadas de Unicórnios (eu prefiro ser mitológico nacional ESG como o Boitatá - a serpente de fogo que protege a floresta) começaram a demitir pessoas nos Eua e na Europa e a onda chegou aqui no Brasil.

Mas no fundo, aqui na Wiztartup, nossa visão é que o investimento anjo, pre seed e seed no início de cadeia de venture capital é de longo prazo. Ou seja, esses ruídos de curto prazo não deveriam interferir o nosso racional de longo prazo, pois crises passam e na verdade as melhores oportunidades sempre aparecem nestes momentos. Entretanto, mesmo sabendo de tudo isso, parece que o contexto do presente altera nosso humor e interfere em nossas decisões do futuro. Afinal, somos humanos!

Eu vejo este fenômeno de crise da seguinte forma e devido a alguns fatores:

  • Valuations super estimados. Eu sei que isso é mais arte do que ciência em empresas que estão começando porém existem parâmetros aceitáveis de risco e de projeção de retorno. O Carlos Rubinstein, que é meu sócio na Wiztartup, que é uma plataforma de investimento colaborativo, mais conhecido como equity crowdfunding, pensa que estava se formando uma bolha, o que concordo. Qual é a chance de retorno real após 5 anos com o valuation proposto? O negócio tem os fundamentos e o mercado grande o suficiente para sustentar tanto crescimento? E os concorrentes e as barreiras de entrada?
  • Existe o Fomo (fear of missing out). Muito investidor, a partir do buzz de algumas rodadas de investimento de negócios hypados com paralelos a histórias de sucesso como grupo Meta, Airbnb, Easy Taxi, Loggi e outras empresas, aliado a taxa de juro de 2% no Brasil no inicio de 2020, iniciaram uma corrida para investir em startups também pelo receio de ficar de fora da próxima grande oportunidade. Será mesmo que não passara outra oportunidade? Prefere perder oportunidade ou perder dinheiro?
  • Muito valor para a história e para o histórico e pouca atenção no plano de negócios e na equipe que iria executar a proposta de valor de valor no futuro. O negócio esta tracionando com um produto ajustado ao mercado? A solução ou produto já conquistou clientes iniciais e esta vendendo para público mais amplo?
  • A falta de uma governança mínima com uma pauta pragmática sobre os riscos, os controles, as despesas, a estratégia e a visão de futuro que o negócio precisa preservar para se perpetuar de forma sustentável. As perguntas certas estão sendo endereçadas? Existe algum tipo de governança corporativa na startup com conselho consultivo?
  • A crença equivocada de que negócio digital não precisa ter ponto de equilíbrio e rentabilidade com geração de caixa em algum ponto da jornada. Todo empreendimento é criado para dar lucro. Alguns não geram caixa o suficiente para novos investimentos, e por isso entram os anjos e os fundos de VC financiando outras etapas do desenvolvimento do negocio. O projeto tem unit economics para clientes como relação CAC e LTV favoráveis? Ou possui unit economics do produto e solução como a margem de contribuição em cada transação ou a conta só fecha com o subsidio do investidor?

Mas Cadê o dinheiro afinal? De 2020 até hoje, de acordo com levantamento feito pela Jupter & Anjos VC, o número de investidores cresceu desde 2020: são 24 aceleradoras contra 15 do estudo passado. O grupo de anjos, por sua vez, mais do que dobrou de tamanho: de 16 para 33. O capital comprometido e ainda não alocado, chamado de Dry Powder (pólvora, em tradução livre), subiu de 5 para 18 bilhões de reais. O capital de risco também apresentou mudanças, de 18 para 71 milhões em aceleração e de 13 para 121 milhões com anjos. Em pre-seed, o capital de risco passou de 98 para 771 milhões; de 3 para 5,5 bilhões em seed; e 2 para 9,5 bilhões de reais em series A – o maior incremento em volume. Ou seja, o dinheiro continua existindo.

Todo empreendimento nasceu para gerar caixa e dar lucro em algum momento. Entendo que o lucro deve ser otimizado sempre levando em consideração os interesses de todos os stakeholders - clientes, sócios, investidores, funcionários, sociedade, meio ambiente etc. Ou seja, tem que girar o caixa e gerar excedente após atender aos interesses e necessidades de todos. Se não o faz, algo na proposta de valor esta errado e a conta não fecha. E com isso, o dinheiro some mesmo, ou melhor, ele muda de lugar. E se não muda de lugar, no mínimo se torna mais exigente.

Até a próxima!

Referência: https://www.digitalmoneyinforme.com.br/brasil-tem-r-18-bilhoes-para-investimentos-em-startups/